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Como os pais podem enfrentar os desafios de educar seus filhos nos dias atuais

Nos últimos anos o mundo tem passado por grandes transformações, tanto no âmbito tecnológico quanto na esfera dos relacionamentos interpessoais, bem como na forma como as pessoas lidam com as informações e seu desenvolvimento.

As novas gerações estão cada vez mais conectadas com o mundo por meio da internet e demais meios de comunicação. E para os pais, criar os filhos lidando com todas as diferenças e modernidades se torna um desafio cada vez maior.

Lidar com os adolescentes e crianças requer o entendimento de como eles pensam, como vivem no contexto da era da informação e como enxergam o mundo. Mas antes de falar mais sobre isso, acho importante conceituar quem são essas crianças e adolescentes.

Segundo o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – podemos definir as crianças como os indivíduos na faixa etária entre 0 e 12 anos incompletos. Os adolescentes, por sua vez, são os cidadãos que estão na faixa etária dos 12 aos 18 anos.

O que está acontecendo com nossas crianças e adolescentes

Desde a década de 80, muitos estudos têm apontado para as transformações. De acordo com essas pesquisas, nos dias de hoje, as relações familiares passaram a ter como base o aumento do diálogo, mais participação, igualdade, afeição e mais compreensão.

Pode-se dizer também que há uma tendência ao prolongamento da adolescência e da juventude na sociedade atual.

O tempo de estudo se tornou mais prolongado, e a entrada no trabalho, por consequência, passou a acontecer mais tardiamente e a constituição da própria família passou a ser postergada.

As condições atuais implicam em uma longa transição do período de adolescência e juventude para a idade adulta, fazendo com que os estilos de vida sejam experimentados.

Como disse anteriormente, a tecnologia da comunicação, dentre elas a tv e a internet, possibilitam hoje que o acesso às informações se dê sem o controle dos pais.

Isso leva a uma maior liberdade e autonomia para os jovens e uma diminuição da autoridade e controle paternos.

O papel dos pais passou a se dar de uma forma diferente que no passado, e os métodos autoritários e diretivos de educação passaram a ser criticados.

Exalta–se hoje a juventude, fazendo com que os mais velhos desejem ser jovens e que as relações entre pais e filhos se transformem, com os pais perdendo a autoridade, questionando o que fazem de errado. E a criança, o adolescente e o jovem querendo apenas ter direitos.

Consumo e direitos sociais na infância e adolescência

O reconhecimento da criança como sujeito de consumo e com direitos sociais são uns dos aspectos que configuram a infância e a adolescência na atualidade.

A criança agora se torna visível à sociedade, alvo de ofertas de bens e serviços sociais.

Um estado que não suporta o silêncio e a imobilidade, e tendo o meio externo lhes oferecendo cada vez mais imagens em movimento, ritmo acelerado e ausência de silêncio.

Adolescente: Luto do infantil

Sair da infância para entrar na adolescência é uma etapa crucial no processo do desenvolvimento.

Caminhar para o mundo dos adultos representa a perda definitiva da sua condição de criança:

  • luto pelo seu corpo infantil
  • identidade infantil
  • pais da infância

O indivíduo nessa fase passa a flutuar pela dependência e independência extremas. E somente a maturidade lhe permitirá aceitar ser independente dentro de um limite de necessária dependência.

O Adolescente do século XXI

Os adolescentes às vezes se apresentam por meio de vários personagens frente aos próprios pais e a diferentes pessoas de seu convívio.

Este fato nos poderia dar dele versões totalmente contraditórias sobre sua: maturidade; bondade; afetividade e comportamento. Inclusive num mesmo dia.

Os pais na atualidade

Alguns pais padecem com a dificuldade para aceitar o crescimento dos filhos.

Por trás de uma incompreensão e rejeição deste crescimento, se encontram muitas vezes mascaradas debaixo de concessões de uma excessiva liberdade que o adolescente pode viver como abandono. 

Esta dificuldade dos pais e as concessões excessivas de liberdade, onde a dependência ainda é necessária, dificulta o trabalho de luto.

Os pais, portanto, também precisam também fazer o luto

  • pelo corpo do filho infantil
  • pela identidade de criança
  • pela relação de dependência infantil

Nesse contexto os pais passam a ser:

  • julgados pelo filho
  • substituídos por amigos e outros ídolos
  • a rebeldia que ocorre devido ao desvinculo do adolescente com seus pais
  • ao perder o corpo infantil do seu filho, os pais passar a se ver na aceitação do porvir, do envelhecimento e da morte.

Com isso, os pais precisam abandonar a imagem idealizada de si mesmo, que seu filho criou e na qual ele se acomodou.

O que acontece na relação com os filhos 

O desprezo que o adolescente mostra frente ao adulto é, em partes uma defesa para iludir a depressão que lhe impõe o desprendimento de suas partes infantis. Além disso, a desidealizaçâo das figuras parentais o afunda no mais profundo desamparo.

Por outro lado, essa dor é pouco percebida pelos pais, que costumam fecharem-se numa atitude de ressentimento e reforço de autoridade. Sendo essa atitude algo que torna ainda mais difícil passar por esse processo.

O que os adolescentes e jovens desejam

Os adolescentes procuram conquistas e encontram satisfação nela. Se estas conquistas são desvalorizadas pelos pais e pela sociedade, surgem no adolescente sofrimento e rejeição.

Existem três exigências básicas de liberdade que o adolescente apresenta aos pais:

  • Liberdade de saídas e horários
  • Liberdade de defender uma ideologia
  • Liberdade de viver um amor e um trabalho

Expressam a necessidade de fazer experiências que nem sempre são totais, mas que precisam viver e para fazê-las tem que encontrar certa aprovação dos pais, para não sentirem culpa. E querem viver as experiências para eles sem passar muitas informações, mas com a aprovação.

Pais e filhos no século XXI

Os pais precisam saber que na adolescência o jovem passa por um período de profunda dependência, onde precisam dele tanto ou mais do que quando bebês, que essa dependência pode ser seguida imediatamente de uma necessidade de independência, que a posição útil nos pais é de espectadores ativos, não passivos, e ao aceder à dependência ou à independência não se baseiam em seus estados de ânimo, mas nas necessidades do filho.

Para isso será necessário que eles mesmos possam ir vivendo o desprendimento do filho, concedendo-lhe a liberdade e a manutenção da dependência madura

  • liberdade com limites
  • cuidados
  • cautela, seguindo passo a passo a evolução
  • diálogo e necessidades do filho

Dependência e Independência

“O lugar mais seguro em que o navio pode estar é o porto. Mas ele não foi feito para permanecer ali.

Os pais também pensam que são o porto seguro dos filhos, mas não podem se esquecer do dever de prepará-los para navegar mar adentro e encontrar o seu próprio lugar, onde se sintam seguros, certos de que deverão ser, em outro tempo, esse porto para outros seres.

Ninguém pode traçar o destino dos filhos, mas precisa estar consciente de que na bagagem devem levar valores herdados, como humildade, humanidade, honestidade, disciplina, gratidão e generosidade.

Ah! Como é difícil soltar as amarras.”
(Içami Tiba)

Deixem que os filhos vivam suas vidas

Aos pais,  o que posso dizer é que deixem seus filhos viverem e todas as experiências que puderem  viver, sejam eles geniais ou apenas normais, talentosos ou simplesmente cidadãos corretos e bons profissionais, ao invés de pensarmos em criar seres incríveis devemos contribuir para que as crianças se tornem adultos felizes e que vivam suas existências em paz.

Por Fabiana Alonso | Psicóloga  – CRP 06/146061

Este conteúdo é um resumo da Palestra realizada pela psicóloga Fabiana  Alonso no Espaço Saber em Tietê – SP no dia 5/10/2019. Se você tem alguma dúvida sobre o assunto ou deseja agendar uma consulta de psicoterapia para adolescentes, entre em contato pelo FORMULÁRIO  DE CONTATO ou pelo Whatsapp 11 99940-3900

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